domingo, junho 08, 2008

vai depender do seu referencial se ali é o lado esquerdo ou o lado direito

desde que eu virei um cético insensível, uns anos atrás, são poucas as coisas que me conseguem emocionar. mas vez ou outra, numa corrida de fórmula 1 ou num jogo de futebol, acontece.

ontem, por exemplo, a vitória de Portugal sobre a Turquia, pela primeira rodada da Eurocopa, foi qualquer coisa de singular. explico: como bem apontou um comentarista do Sportv, a tradição ibérica de mandar mal em torneios de seleções faz com que o português médio e o espanhol médio tenham orgulhos de seus clubes e não estejam nem aí para as seleções portuguesa e espanhola.

isso até que um milagre de nome Luís Felipe Scolari cruzou o comando de Portugal e levou o time à final da Euro 2004 e às semi-finais da Copa de 2006; não bastasse isso, todo jogo entre Brasil e Portugal, desde então, acaba com vitória lusitana. e isso faz um bem danado pro orgulho nacional português; com o Cristiano Ronaldo tendo ganho o Campeonato Inglês e a Liga dos Campeões este ano, e sendo franco favorito para levar a Bola de Ouro como melhor jogador de 2008, Portugal entrou na Euro deste ano fazendo arrastão.

e na partida de ontem, em Genebra, havia milhares e milhares de portugueses, em boa medida imigrantes na Suíça, em Luxemburgo e no sul da França, a torcer pelo time; Portugal só não jogou em casa porque parece que todos os turcos ilegais da Alemanha desceram até a Suíça para ver o jogo - e eram maioria, pois, no estádio. mas nem assim deu para eles: Portugal colocou um 2x0 ali que bem refletiu a diferença de futebol entre as duas seleções.

de qualquer forma, a torcida portuguesa fez a festa a que se acostumou ultimamente: cachecóis em punho, o hino cantado em uníssono, um entusiasmo que não existia cinco anos atrás. e, para um país que sofre de auto-estima baixa (como seu filho mais velho sul-americano), isso é muito importante. e bonito.

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outro momento legal foi hoje, durante o Grande Prêmio do Canadá. ontem eu disse ao Craudio que o Lewis Hamilton amarelava, e ele não acreditou. pois hoje o inglês fez uma goianada, daquelas que merecia cassação de superlicença, enchendo a traseira do Kimi Räikkönen. resultado: os dois saíram. e graças a uma outra goianada, desta vez da Ferrari, o campeão mundial da fórmula 1 desse ano, Felipe Massa, não foi ao pódio. de toda forma, ele fez uma corrida linda, aproveitando-se do desequilíbrio emocional de vários pilotos meia-roda, como o Fernando Alonso (cuja época já passou).

apesar de bom piloto, Felipe Massa tinha um certo complexo de inferioridade, que só passou depois de ter ganho as corridas da Turquia e da Espanha. quando ele fez a pole position em Mônaco, pensei na hora: ele é o campeão desse ano. com um carro menos acertado praquela pista, sem gostar dela e pagando um die para aquela pompa e circunstância monegasca, ele se soltou. não ganhou lá mas fez a corrida que lhe era possível, assim como hoje. e o que foi aquela ultrapassagem dupla de hoje, hein? o Kovalainen deve estar até agora olhando no retrovisor para ver se o rapaz de Botucatu está vindo por trás (com trocadilho). no final das contas, é só ele ser cético e insensível que o campeonato mundial é dele. podem anotar.

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