domingo, novembro 05, 2006

então...

dirigir em Brasília quando se há gasolina e não se há horário a cumprir, trânsito e "flanelinhas" para te perturbar é uma dádiva. deve ser a coisa que eu mais gosto na vida. daqui a pouco eu volto ao assunto.

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Marcio e Lia me chamam para assistir um filme, com mais um casal de amigos dela. lá na Academia de Tênis, onde tá rolando mais uma edição do Festival Internacional de Cinema de Brasília. vou com eles, sem saber que filme assistir. dirijam o carro por mim, o banco do carona está de bom tamanho.

depois de muito deliberar, escolhem um polonês: "O colecionador". falado na língua local, legendado tanto em inglês quanto em português. escolho acompanhar pelas legendas em inglês, once I'm very prego, e as coisas transcorrem numa boa.

logo dá pra se apontar um erro: a palavra inglesa "collector" pode designar "cobrador" ou "coletor". como o protagonista do filme trabalha na Procuradoria da Fazenda local, o filme deveria ter o título "O cobrador" ou "O coletor de impostos", se quisessem dar um clima medieval à história, que é contemporânea.

é um filme nota 7, mistura de "Amelie Poulain", "Pegadinha do Faustão" e humor negro. não tem personalidade, mas no mundo perfeito seria uma bela sessão da tarde.
terminado o filme, um café no começo da Asa Norte, o "Gold", do Ryan Adams tocando no carro até lá. aí é olhar a quiche de carne seca de um, o petit gateau de outra... e esperar que os dias passem até o sábado (e mesmo assim, não se empanturrar).

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minhas calças caem: sinal de que estou com saúde. pesei-me hoje, mais uma vez, e constatei que a perda de peso nos nove dias de dieta de South Beach chegou a um quilo e meio. não pesava tão pouco desde abril de 2005, quando, recém-chegado a Brasília uma desilusão amorosa que até hoje eu tenho dúvidas se consegui ou não superar me tirou todo o apetite. mas, sem os fatores de depressão, é meu menor peso desde 1998.

estou há nove dias sem comer açúcar e amido, e isso tem feito meu humor variar fortemente. como tudo aquilo que a dieta me permite, mas ainda arrumo tempo para repetir para mim mesmo "você não está com fome, você está com sede", enquanto busco na geladeira mais guaraná dietético. um brinde, meu amor. porque o nome completo dessa bebida é Guaraná Antarctica Champagne Diet. você fica com a champanha, eu com o dietético... e a gente não se acerta.

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dirigindo praticamente sozinho no Eixão, firmo o carro na pista do meio e miro os blocos passando dos dois lados. eu sempre quis estar aqui, fazer parte daqui. amo Brasília como o Ryan Adams ama Nova Iorque e diz isso na música. e isento a cidade de tudo de ruim que me aconteceu nesse ano e meio no Distrito Federal. tudo, sem exceções. nem mesmo a falta de açúcar, que tem feito de mim uma pessoa tão amarga nesses últimos dias, nem mesmo aquela sensação de vazio que sinto dentro de mim e que não está ligada à fome. porque esse vazio na alma (???) vai me acompanhar até a morte, por menos que consiga me acostumar a ele.